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Após vídeo machista, campanha de Trump sofre debandada

Desde sábado, pelo menos dez políticos republicanos já retiraram seu apoio à candidatura do magnata

A divulgação de um vídeo em que Donald Trump abusa do machismo e da misoginia ao comentar sua relação com as mulheres provocou uma debandada de republicanos que apoiam sua campanha à Presidência dos Estados Unidos. Desde sábado, quando as imagens foram divulgadas pelo jornal Washington Post, pelo menos dez políticos influentes já retiraram seu apoio à candidatura do magnata.
Nesta segunda-feira, o presidente da Câmara dos Deputados Paul Ryan afirmou a colegas republicanos que deixará de defender Trump. A informação foi confirmada por cinco fontes diferentes ao jornal The New York Times. Segundo a porta-voz de Ryan, Ashlee Strong, o deputado deve usar os próximos 29 dias – período até as eleições americanas – para fazer campanha para que o Partido Republicano consiga a maioria dos assentos no Congresso americano.
Trump respondeu a decisão de Ryan com uma postagem em sua página no Twitter. “Paul Ryan deveria gastar mais tempo tentando equilibrar o orçamento, o desemprego e a imigração ilegal e não desperdiçar seu tempo lutando contra o candidato republicano”, escreveu.
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Antes de Ryan, o senador republicano pelo Estado do Arizona John McCain e a ex-secretária de Estado Condoleezza Rice também retiraram seu apoio à candidatura do empresário nova-iorquino. Em um comunicado, McCain afirmou que não votará em Trump em novembro e que “não há desculpas para os comentários ofensivos e humilhantes no vídeo divulgado”.
Outros senadores republicanos como Mike Capo, do Estado de Idaho, Kelly Ayotte, de New Hampshire, Lisa Murkowski, do Alaska, e Susan Collins, do Maine, também desaprovaram as declarações do candidato e abandonaram sua campanha, assim como governadores e outros membros do Partido.
No vídeo, gravado em 2005, Trump é machista e desrespeitoso ao falar sobre como tenta fazer sexo com mulheres, incluindo uma casada. “Quando você é famoso, elas deixam você fazer”, afirmou, confiante. “Pegar na b***** dela, você pode fazer qualquer coisa”, afirma.
O próprio candidato à vice-presidência pelo Partido Republicano, Mike Pence, se declarou “ofendido” pelas declarações de Trump no vídeo. “Como marido e pai, me senti ofendido pelas palavras e ações descritas por Donald Trump no vídeo de onze anos atrás e divulgado ontem. Não aprovo seus comentários e não posso defendê-los. Fico feliz que ele tenha expressado arrependimento e tenha se desculpado perante o povo americano”, afirmou Pence em comunicado.

Repercussão

A primeira pesquisa eleitoral divulgada após a publicação do vídeo mostra uma disparada da democrata Hillary Clinton nas intenções de voto dos americanos para a Presidência. Segundo a sondagem, realizada a pedido da NBC e do Wall Street Journal, a ex-secretária de Estado aparece com 46% da preferência do eleitorado, enquanto Trump caiu para 35%. Já o libertário Gary Johnson tem 9%, e a candidata do Partido Verde Jill Stein, 2%.
No levantamento anterior feito pela NBC, Hillary estava com os mesmos 46%, mas o magnata tinha 41%. A pesquisa foi realizada entre os dias 8 e 9 de outubro, no calor da divulgação do vídeo de Trump.

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