Mais uma geração perdida surge. Desta vez, nos Estados Unidos
Desde os anos 40 não era tão difícil para os jovens americanos concluir etapas básicas, como pagar faculdade, encontrar emprego, comprar casa e economizar
“Esses jovens ficarão marcados para sempre e serão chamadas de ‘geração perdida’, afinal suas carreiras e suas vidas seriam radicalmente diferentes, não fosse a crise econômica”, disse ao iG Richard Freeman, economista da Universidade de Harvard.
Foto: Carolina Cimenti/especial para o iG
Ryan Villarina e Christy Hermandes: faculdades mais baratas e distribuindo folhetos por US$ 10 por hora
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Outro ponto negativo para o futuro da economia é o fato da diferença de anos de estudo entre ricos e pobres americanos estar crescendo. Pesquisa da Universidade de Michigan demonstra que a cada 100 estudantes ricos que se formam na faculdade, apenas 50 estudantes de classe média ou pobres conseguem terminá-la.
O economista e prêmio Nobel Joseph Stiglitz, da Columbia University, diz que a maioria dos jovens formados em universidades nos EUA já está falida, antes mesmo de começar a trabalhar. “Pessoas com formação mais completa acabam tendo mais oportunidades na vida. Mas se você precisa pegar empréstimos para pagar a sua educação, o seu futuro não será fácil. As estatísticas demonstram que as chances de você conseguir um emprego que permita que você pague este empréstimo são muito baixas. Segundo as leis americanas, mesmo que você sofra uma falência, você ainda tem a obrigação de pagar pelas dívidas ligadas à sua educação. A maior parte dos jovens americanos, então, já começam a vida profissional com dívidas altíssimas e sem grandes oportunidades”, disse Stiglitz.
É exatamente esse cenário que Ryan Villarina está tentando evitar. Aos 23 anos, ele largou a faculdade de psicologia, na Califórnia, para estudar moda em Nova York. Ele foi aceito em uma das escolas de design mais respeitadas do mundo, a Parsons, porém, depois de adiar por dois semestres, simplesmente desistiu de se matricular. “O curso dura 4 anos e custa U$ 40 mil por ano. Eu consegui uma bolsa de estudos que pagaria U$ 13 mil por ano. Mas mesmo assim, eu ainda teria que pegar mais de U$ 100 mil emprestados, além dos gastos para viver. É impossível. Desisti antes mesmo de tentar. Até porque ter curso superior não é garantia nenhuma de achar emprego”, contou Ryan ao iG.
Christy Hermandes, de 21 anos, conseguiu se formar em consultoria de moda. Ela optou por uma escola menos conhecida e menos cara, mas mesmo assim precisou pegar U$ 36 mil emprestados para paga-la. Ryan e Christy concederam essa entrevista enquanto trabalhavam distribuindo panfletos de um salão de beleza nas ruas de Nova York, um emprego temporário que paga cerca de U$ 10 por hora. “A minha universidade tem escritório de colocação, para ajudar a nos colocar no mercado de trabalho na nossa área. Eu tentei por seis meses, preenchi centenas de fichas e cadastros, mas nada apareceu. Então tive que pegar esse emprego, que pelo menos tem um pouco a ver com moda e beleza”, se consola Christy, que ainda tem U$ 18 mil em dívidas estudantis.
Foto: Carolina Cimenti/especial para o iG
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Geração perdida foi uma expressão criada pela escritora Gertrude Stein, nos anos 1920, em referencia aos jovens franceses que viviam a crise econômica pós-Primeira Guerra Mundial. Também foram chamados assim os jovens japoneses nos anos 1990, durante a estagnação econômica do país. Mas países ricos em recessão e com altos índices de desemprego entre os jovens, como Espanha, Grécia, Portugal, Itália e até mesmo os Estados Unidos, estão trazendo à tona a expressão de Stein, que tende a ficar cada vez mais contemporânea.
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