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Governador Rui Costa

A forçação de barra sobre Rui Costa, por Raul Monteiro*

EXCLUSIVAS
Há manifesta forçação de barra, na cúpula do PT e do governismo que ele próprio comanda, para que o governador Rui Costa (PT) assuma um protagonismo que o petista não deseja na sucessão municipal de Salvador. Do esforço de mobilização visivelmente interessada pelo envolvimento de Rui no processo sucessório até o senador Jaques Wagner (PT), com quem se diz que o governador já não viveria mais o mesmo love story do primeiro mandato, tem participado. Em entrevista ao radialista Mario Kertész, Wagner não só cobrou de Rui que tomasse partido, como prometeu, no ar, que o procuraria para tratar do assunto.
Na visão de quem já apresentou diretamente o tema a Rui, no entanto, o governador tem alguns motivos importantes que o levam a buscar se manter afastado da discussão. O primeiro – e mais caro a ele – seria a compreensão de que não deve interferir na vida e aspiração internos dos partidos que integram a sua base, entre os quais o seu PT. Repetindo um padrão que iniciou na sucessão municipal passada, quando praticamente lavou as mãos com relação àquela eleição, o governador se sente pessoalmente muito pouco à vontade para mexer neste campo, preferindo que as siglas encontrem o caminho do sucesso, do fracasso ou da acomodação por elas mesmas.
A posição de Rui seria reforçada pelo fato de, além de tudo, serem muitos os partidos que orbitam em torno dele e que, para completar, de saída, já manifestaram o interesse em disputar a Prefeitura de Salvador. Mas algo mais forte teria ampliado a rejeição do governador a seu próprio envolvimento no processo. O que tanto Wagner quanto a cúpula do PT desejam não é apenas que ele tome parte nas discussões para a sucessão mas que puxe a brasa para um jogador em especial, o presidente do Esporte Clube Bahia, Guilherme Bellintani, o que, pelo que tem dado a entender o governador, está longe de ser a aposta dos seus sonhos.
De fato, escolher Bellintani em detrimento dos demais seria o mesmo que desconsiderar que o PT, por exemplo, tem sete pré-candidatos, entre os quais a socióloga Vilma Reis, talvez a mais autêntica representante na legenda do movimento Eu Quero Ela, que defende o lançamento de um nome negro à sucessão municipal, bem como que o PCdoB lançou Olívia Santana, que o Podemos deseja ver Bacelar crescer na disputa, que o PP aposta na eleição de Niltinho e que o Avante acha que a melhor opção para a cidade é o folclórico Sargento Isidório. Deve passar pela cabeça de Rui, certamente, a pergunta sobre porque optaria por Bellintani em meio a tantos outros.
Há um algo mais. Segundo corre à boca pequena, o presidente do Esporte Clube Bahia, mesmo sem ter definido o partido a que se filiar, embora as especulações apostem no seu ingresso no PT, teria feito chegar ao governador uma exigência que, provavelmente, com toda a razão, Rui teria considerado desmedida: a de que só abraçaria a causa da própria candidatura, caso fosse o candidato único do grupo do governista. A condição teria parecido ao governador tão ou mais inapropriada, porque também chegou ao seu conhecimento que, nas bases e militância petistas, que não topam o nome de Bellintani, o presidente do Bahia é tratado como um “ex-estagiário” de ACM Neto (DEM).
* Raul Monteiro é editor da coluna Raio Laser e do site Política Livre e escreve neste espaço às segundas e quintas-feiras.

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