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PF rastreia dinheiro de hackers em busca de suposto mandante de ataque a Moro

Foto:Estadão
Polícia Federal
Um dos focos da investigação da Polícia Federal sobre o hackeamento de celulares de autoridades será, a partir de agora, descobrir se as ações foram encomendadas e pagas por algum mandante. Os investigadores vão se debruçar sobre as quebras de sigilo bancário dos quatro suspeitos de atuar como hackers que foram presos na terça-feira (23). As medidas foram autorizadas na última sexta-feira (19) pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília, a partir de incompatibilidades detectadas nas finanças dos investigados. Relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) mostrou que um dos presos, Gustavo Henrique Elias Santos, movimentou em sua conta bancária R$ 424 mil entre 18 de abril e 29 de junho deste ano. A mulher dele, Suelen Priscila de Oliveira, também detida temporariamente, movimentou R$ 203,5 mil de 7 de março a 29 de maio do mesmo ano. Os dois, no entanto, têm, respectivamente, rendas mensais de R$ 2.866 e R$ 2.192, consideradas incompatíveis com o volume de recursos que passou pelas contas. Com Gustavo, a Polícia Federal apreendeu quase R$ 100 mil em espécie na terça, quando foi deflagrada a Operação Spoofing. Além das quatro prisões temporárias, foram executados sete mandados de busca e apreensão em São Paulo, Araraquara (SP) e Ribeirão Preto (SP). A defesa de Gustavo disse à Folha de S.Paulo que a quantia provém de operações com bitcoins. A decisão do juiz e o parecer do MPF (Ministério Público Federal) que a embasou não registram indícios de que os ataques foram pagos por algum mandante. Para o magistrado, no entanto, a incompatibilidade entre as movimentações financeiras e a renda do casal, por si só, justifica rastrear os recursos movimentados e averiguar “eventuais patrocinadores das invasões ilegais” de smartphones. A PF disse ter feito uma análise do relatório do Coaf empregado na investigação e concluiu que ele foi produzido nos parâmetros descritos como adequados em decisão liminar do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, do último dia 15. O ministro mandou suspender inquéritos criminais instruídos por relatórios do Coaf que exponham, sem autorização judicial prévia, detalhes da vida financeira dos investigados. Entre os beneficiados pela decisão está o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Para Toffoli, o repasse sem autorização judicial deve se restringir a dados globais, como nome e valor movimentado em determinado período. Maiores detalhes exigem controle do Judiciário. Segundo a PF, o relatório relativo ao caso dos hackers não trouxe dados detalhados, e a avaliação foi feita em conjunto com Ministério Público e Judiciário. A Procuradoria-Geral da República recorreu contra a decisão de Toffoli, mas o recurso abre uma brecha para manter suspenso o caso Flávio.
Folha de S. Paulo

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