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Cortes em projeções tiram R$ 36 bi do PIB

Foto: Estadão
Desde que Jair Bolsonaro assumiu o governo, economistas ajustam suas estimativas, que já saíram de alta de 2,53% para 2% neste ano
Revisões para baixo já tiram R$ 36 bilhões das projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. Semana após semana, os economistas ajustam suas estimativas, que já saíram de 2,53% para 2% desde o início do governo de Jair Bolsonaro. As mudanças foram feitas com base em dados econômicos decepcionantes e dúvidas em torno do andamento da reforma da Previdência. O próprio governo já trabalha com um crescimento menor da economia. Na última sexta-feira, o Ministério da Economia alterou sua projeção para expansão do PIB em 2019 de 2,5% para 2,2%. Neste cenário, o governo também precisou promover um corte de R$ 30 bilhões nas despesas do Orçamento, para assegurar o cumprimento da meta fiscal, que permite déficit de até R$ 139 bilhões neste ano. Para 2020, no entanto, a projeção de alta do PIB no mercado financeiro subiu de 2,50% para 2,78% desde o início do governo Bolsonaro. Em valores nominais, o adicional de 0,28 ponto porcentual representa algo como R$ 19 bilhões. Considerando as projeções mais recentes do mercado, o “saldo” de 2019 e 2020, desde que Bolsonaro chegou ao Planalto, é de um PIB cerca de R$ 17 bilhões menor. A situação atual é oposta à verificada quando Michel Temer assumiu o presidência, em meados de 2016. Em pouco mais de 80 dias de governo, um boom de melhora de expectativas adicionou R$ 100 bilhões às projeções do PIB para os anos subsequentes. Isso acabou não se concretizando, justamente porque a reforma da Previdência não andou. O PIB chegou ao final de 2016 com baixa de 3,3% e subiu apenas 1,1% em 2017 e 2018. Essas cifras foram calculadas pelo economista Mauro Schneider, da MCM Consultores Associados, com base nos dados do PIB e nas projeções contidas no Relatório de Mercado Focus, do Banco Central. As projeções do Focus foram atualizadas na segunda-feira, 25. O movimento de redução de projeções este ano se intensificou a partir de meados de fevereiro, na esteira da divulgação de vários índices econômicos, relativos a janeiro, que decepcionaram. “O pessimismo e as revisões têm sido majoritariamente derivadas de uma falta de reação mais intensa da economia. A própria conjuntura vem surpreendendo negativamente”, avaliou Schneider. Ele lembra que o nível de incerteza entre os agentes econômicos ainda é muito alto, o que afeta os investimentos das empresas e o consumo de maior valor das famílias. “Temos ainda nível muito elevado de ociosidade em alguns setores, inibindo o aumento de investimentos. E o desemprego segue em ritmo historicamente elevado”, pontuou. Essas revisões do PIB são especialmente frustrantes considerando a recessão vista em 2015 e 2016 e o baixo crescimento de 2017 e 2018. “Em anos anteriores, havia travas fortes na economia, como o endividamento das famílias e das empresas, além de um período de turbulência política. Mas ainda há limitantes presentes no curto prazo para uma retomada mais forte”, avaliou o economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria Integrada. Segundo ele, 2019 pode contar com alguns “gatilhos” importantes para o avanço econômico, como a aprovação da reforma da Previdência e a retomada dos investimentos em infraestrutura. “Mas na ausência desses gatilhos e com o setor público ainda em situação fiscal crítica, o ano ainda será de dificuldades”, acrescentou. A Tendências trabalha desde o ano passado com a perspectiva de alta de 2% para o PIB em 2019. Para 2020, a projeção da consultoria é de 2,6% – mas este porcentual embute a aprovação da reforma da Previdência e a retomada do setor de construção, que ainda patina.
Estadão

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