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Bolsonaro se compromete a defender reforma e acena trégua

Após troca de farpas com Maia e declarações contraditórias sobre Previdência, presidente reuniu ministros e pediu 'pacificação' com a Câmara

26 MAR2019
04h11
atualizado às 07h36
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Após bate-boca público com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e declarações contraditórias sobre a reforma da Previdência, o presidente Jair Bolsonaro se comprometeu a se empenhar para a votação da proposta no Congresso. Segundo auxiliares, Bolsonaro pediu a ministros que busquem "pacificação" com a Câmara.
O presidente da câmara dos deputados, Rodrigo Maia e o presidente Jair Bolsonaro, durante solenidade de posse dos aprovados no vigésimo nono concurso público para provimentos de cargos de procurador da república
O presidente da câmara dos deputados, Rodrigo Maia e o presidente Jair Bolsonaro, durante solenidade de posse dos aprovados no vigésimo nono concurso público para provimentos de cargos de procurador da república
Foto: Walterson Rosa / Framephoto / Estadão Conteúdo
Maia e Bolsonaro terminaram a semana trocando farpas sobre de quem deve ser a responsabilidade pela aprovação da reforma. Irritado com ataques de bolsonaristas nas redes sociais, Maia disse ao Estado que o governo é um "deserto de ideias". O presidente rebateu: "Ele está desinformado, até o perdoo pela situação pessoal que vive", numa referência à prisão de Moreira Franco, padrasto da mulher de Maia.
"Temos duas opções: aprovarmos a Previdência ou mergulharmos num buraco sem fundo", disse o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, no fim do dia. Pela manhã, o presidente se reuniu com os ministros Paulo Guedes (Economia), Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Santos Cruz (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno (Segurança Institucional). Segundo o porta-voz, Bolsonaro "fará todos os esforços para que a proposta da Previdência avance sob a batuta do Congresso", mas entende que é "parte da solução" para garantir a aprovação.
Rêgo Barros afirmou que o presidente está disposto a se reunir com presidentes de partidos e lideranças no Congresso. Segundo ele, Bolsonaro e Guedes farão um esforço conjunto para "esclarecer a proposta".

'Verbo' e 'verba'

Estado apurou que Guedes vai tomar frente nas articulações políticas. "Paulo fica com o verbo e Onyx com a verba", disse um interlocutor. Aliados de Guedes defendem que o ministro separe três horas por dia para receber os parlamentares. O primeiro partido a ser recebido deve ser PSL, de Bolsonaro, que ainda não manifestou apoio à reforma.
O esclarecimento será feito, segundo Rêgo Barros, com base em quatro pilares: combate às fraudes, facilitação da cobrança de dívidas previdenciárias, equidade e a criação do regime de capitalização - modelo no qual o trabalhador poupa numa conta individual, que banca os benefícios no futuro.
Na estratégia de trégua entre Executivo e Legislativo, Onyx almoçou na segunda-feira com Maia na residência oficial da presidência do Senado com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Maia disse ao ministro que não vai fazer gesto público e nem recuar de seu posicionamento de que cabe, agora, ao governo assumir a dianteira nas negociações com a Câmara. Santos Cruz recorreu ao divino para falar do futuro da reforma: "Se Deus quiser, vai dar tudo certo." 

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