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Bruno Reis deve ser anunciado candidato à Prefeitura por ACM Neto até o final do ano

O sonho infantil da “oposição” contra Bruno, por Raul Monteiro*

EXCLUSIVAS
Apesar do esforço para tentar desmerecer o vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), candidato do prefeito ACM Neto (DEM) à sua sucessão, o que se pode chamar de núcleo de articuladores municipais do governador Rui Costa (PT) está aos poucos concluindo, não se sabe por meio de que sondagens, que ele será um páreo duro de roer nas eleições do próximo ano. Daí a tentativa constante de buscar atribuir-lhe dificuldades para enfrentar a disputa e até mesmo tentar interferir no espaço que ocupa através de especulações de que não conta com a preferência de Neto ou de provocações como a de que outros correligionários seus seriam mais difíceis de bater.
Pela própria natureza instável da política, a estratégia deve provocar algum nível de mal-estar do lado do vice, onde, apesar da consciência de que ele será o escolhido por Neto, que o fará por considerá-lo favorito entre os nomes de que dispõe, os quais, aliás, nunca estimulou que o confrontassem, deixando clara desde sempre, para qualquer bom entendedor, qual será sua opção. Não chega, entretanto, a abalá-lo, exatamente pela convicção de que o anúncio de sua candidatura pelo prefeito está próximo, devendo ocorrer depois de uma conversa que o presidente do DEM promete com os partidos aliados, agora em dezembro.
Neto dita o calendário como senhor do processo porque sairá da Prefeitura, em 2021, como líder absoluto de seu grupo político mais próximo e das forças que se opõem ao governador petista, mesmo tendo deixado de concorrer ao governo do Estado no ano passado, com o que frustrou praticamente a quase totalidade daqueles que o acompanhavam e em alguns casos foram forçados, por falta de alternativa, a continuar a acompanhá-lo depois da decisão. Se o capital político que poderia ter acumulado sem o recuo poderá lhe fazer alguma falta em 2022, quando deverá disputar a sucessão estadual, hoje, no plano municipal, não lhe faz a menor diferença.
Exatamente porque não surgiu tanto no time de partidos que compõem o grupo político do prefeito quanto no da oposição qualquer nome que possa lhe fazer frente, o prefeito deve marchar para a própria sucessão, no ano que vem, com a popularidade inabalável e, provavelmente, na condição de maior eleitor de Salvador, com capacidade de projetar firmemente o nome do escolhido, principalmente se, como é o caso de Bruno, ele já estiver em atividade política e administrativa intensa, fazendo contatos, descendo e subindo os bairros mais pobres da cidade, com ou sem inaugurações, e associando, sem nenhum tipo de contraponto, seu nome ao de uma gestão bem avaliada.
Num quadro desses, não é difícil compreender a estratégia de desconstrução pensada pelo núcleo político do campo do governo estadual que ainda debate, com a notável desarticulação com que sempre se pautou no plano municipal, se apostará na polarização com apenas um nome ou na pulverização, com vários titulares no time, para enfrentar o candidato de Neto, além de nutrir a expectativa um tanto quanto infantil de que o prefeito possa cometer o erro de retirar do páreo um nome praticamente consolidado para substituí-lo por outro que comece em condições de igualdade com seus eventuais opositores.
* Artigo do editor Raul Monteiro publicado hoje na Tribuna.

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