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Carlos mantém ataques a Mourão após pedido de Bolsonaro por armísticio

Filho do presidente criticou fato de vice ter dito que 'declaração judicial não se comenta' após ser questionado sobre a redução de pena de Lula

Filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSC) manteve os ataques contra o vice-presidente Hamilton Mourão(PRTB) nas redes sociais mesmo depois de o general Otávio Rêgo Barros, porta-voz da Presidência da República, ter lido um comunicado em que o presidente pede para que se ponha um fim na discussão.
Apesar dessa manifestação do pai, Carlos Bolsonaro voltou à carga na noite desta terça-feira, 23, compartilhando duas reportagens com comentários do vice-presidente. Em uma, também de ontem, Mourão diz que “decisão do Judiciário não se comenta”, uma vez instado a se posicionar sobre a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso do tríplex, mas reduziu a pena imposta ao petista.
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“Vale lembrar que o STF sentiu a pressão da internet e ruas ao analisar estranho caso de liberdade de expressão. Decisão se cumpre, mas também se comenta. Qualquer outra interpretação mais uma vez demonstra a paixão camuflada”, escreveu o vereador sobre o assunto.
Essa segunda publicação teve anexada uma reprodução da segunda matéria, de janeiro, quando Mourão criticou a chamada “despetização” promovida pelo ministro Onyx Lorenzoni na Casa Civil. Na época, o vice manifestou preocupação que a demissão em massa de funcionários da pasta sem que outros fossem contratados imediatamente poderia provocar uma paralisia parcial dos serviços da Casa Civil.
Se por um lado Jair Bolsonaro pediu o fim da briga entre o filho vereador e Mourão, por outro é verdade que o comunicado deixou claro que ele “sempre estará ao lado” de Carlos, apesar de ter “apreço” pelo vice-presidente. Da mesma forma, Bolsonaro não utilizou as redes sociais para falar sobre o assunto, como costuma fazer em temas em que possui posição mais enfática. A mensagem através do porta-voz, assim, acaba ganhando contornos mais simbólicos e burocráticos, sem representar uma oposição concreta do presidente às opiniões manifestadas pelo filho.
Aliás, filhos. Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) transferiu para Mourão a responsabilidade pela crise. “O que tem causado bastante ruído são as sucessivas declarações do vice-presidente de maneira contrária ao presidente da República”, afirmou. Eduardo também criticou o fato de o general ter curtido uma publicação da jornalista Rachel Sherezade, em tom crítico a Bolsonaro, nas redes sociais.

Olavo de Carvalho

O confronto entre Carlos Bolsonaro e Hamilton Mourão é produto de um outro desentendimento público, entre os militares do governo, como o vice, e o escritor Olavo de Carvalho, autor conservador que é seguido por diversos atores políticos do entorno de Bolsonaro, incluindo os filhos Carlos e Eduardo.
Olavo tem feito publicações fortemente críticas aos integrantes das Forças Armadas que ocupam postos-chave do governo, em especial o vice-presidente e o ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Santos Cruz.
Também causaram desconforto as falas do escritor de que a ditadura militar, ao interferir pouco no campo da cultura no campo da redemocratização, abriu caminho para a hegemonia da esquerda nesse segmento, fenômeno que o escritor classifica como “marxismo cultural”. Um vídeo dele com falas nessa linha chegou a ser publicado, e depois apagado, da conta oficial do próprio presidente no domingo, 22.
Para Eduardo Bolsonaro, “tanto Olavo quanto Carlos estão apenas reagindo a isso tudo que salta aos olhos de quem acompanha a política”.
“Bolsonaro fala que é contra o aborto, ele fala que é a favor. Olha, tudo bem, é uma opinião dele. Mas, vice-presidente, a função dele não é dar opinião, ele já deu. Ele já apareceu neste tempo aí somado mais que José Alencar, Marco Maciel, Itamar Franco e o Temer, que eram vices”, disse, em referência aos ocupantes dos cargos nos governos Lula, Fernando Henrique Cardoso, Collor e Dilma Rousseff, respectivamente.

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