Pular para o conteúdo principal

Bolsonaro: articulação política será ‘compartilhada’ e coordenada por Onyx

Presidente eleito diz que indicado para Secretaria de Governo vai 'surpreender' no trato com parlamentares e que número de ministérios 'não vai chegar a 20'

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), disse nesta terça-feira, 27, na sede do governo de transição, em Brasília, que a articulação política de sua gestão junto ao Congresso vai ser “compartilhada” e coordenada pelo futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.
Bolsonaro detalhou como se dará a interlocução parlamentar do Palácio do Planalto quando foi questionado por jornalistas sobre se a manutenção da Secretaria de Governo esvaziaria a o papel de articulador político de Onyx. A pasta, que seria absorvida pela Casa Civil, tem como principal atribuição o diálogo com o Congresso. Nesta segunda-feira, 26, o presidente eleito anunciouque o general Carlos Alberto dos Santos Cruz ocupará a Secretaria de Governo.
PUBLICIDADE
“[A articulação] será compartilhada e o Onyx Lorenzoni vai ser o comandante dessa área e o Santos Cruz também terá responsabilidade. Ele (Santos Cruz) muitas vezes esteve em audiência no parlamento, sabe como funciona”, disse Jair Bolsonaro, após anunciar Tarcísio Gomes de Freitas como ministro da Infraestrutura. “Estamos nos articulando, não é fácil você conversar com 594 parlamentares”, afirmou.
Segundo o pesselista, Onyx está reunindo um grupo de ex-parlamentares para também atuar na função. O presidente eleito também disse que conversará com senadores e deputados.
Sobre a inexperiência de Santos Cruz no trato político com deputados e senadores, tarefa delicada e fundamental à governabilidade, Bolsonaro afirmou que o militar da reserva vai “surpreender” no cargo.
“Santos Cruz, diferentemente do que muitos pensam, é uma pessoa que fala mais de um idioma, tem uma vivência fora do Brasil muito grande, é um combatente também, vocês vão se surpreender no trato com parlamentares vindo da parte dele”, declarou.
O presidente eleito reiterou também que tem procurado ouvir bancadas temáticas de parlamentares, e não partidos políticos, para escolher ministros de seu governo. “Dessa forma estamos atingindo todo o Parlamento”, disse ele.
Até o momento, nomes como os da deputada Tereza Cristina (DEM-MS) para a Agricultura, do deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) para a Saúde e do filósofo colombiano Ricardo Vélez Rodríguez para a Educação passaram pelos crivos das frentes parlamentares ruralista, da saúde e evangélica, respectivamente.

‘Não vai chegar a 20 ministérios’

Com 15 nomes de ministros confirmados em seu governo, Jair Bolsonaro disse que o número de pastas não deve chegar a 20. O desenho final, conforme o pesselista, será apresentado a ele por Onyx Lorenzoni nesta quarta-feira, 28. Durante a campanha eleitoral, ele afirmava que pretendia ter, no máximo, 15 ministérios.
“Não vai chegar a vinte não, vinte no máximo, porque a gente vai vendo, por uma governabilidade não podemos sobrecarregar uma pessoa em um ministério, então refizemos alguma coisa”, explicou. “Nós nos perdemos um pouquinho, queríamos 15 ministérios, mas alguns por questões de funcionalidade tivemos que manter status de ministério”, completou.
Segundo o presidente eleito, o nome para o Meio Ambiente deve ser anunciado nesta quarta-feira, 28, e o escolhido para Minas e Energia “não está próximo” de ser fechado. Ele não confirmou a informação dada pelo futuro ministro Tarcísio Gomes de Carvalho de que haverá um Ministério de Desenvolvimento Regional, absorvendo as funções dos atuais Cidades e Integração Nacional, e disse, sobre uma possível pasta da Cidadania, que “vai ter um ministério que vai envolver tudo isso aí, mulher, igualdade racial…”
Após alguns recuos na intenção de extinguir o Ministério do Trabalho e chegar à conclusão de que a pasta seria mantida e fundida a outras, Jair Bolsonaro afirmou que “ninguém vai mexer na legislação trabalhista, todos os direitos são garantidos, se vai ser ministério ou não, é outra história”.
Ele ainda classificou a senadora Ana Amélia (PP-RS) como “excelente pessoa” e possível convidada a integrar o primeiro escalão do governo e admitiu que pode indicar mais militares a ministérios. “É possível. Quando o PT escalava terrorista ninguém falava nada”, ironizou.
Até o momento, há cinco militares no governo Bolsonaro: os generais Hamilton Mourão (vice-presidente), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Fernando Azevedo e Silva (Defesa) e Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo), além do tenente-coronel da Força Aérea Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia).

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Procurador do DF envia à PGR suspeitas sobre Jair Bolsonaro por improbidade e peculato Representação se baseia na suspeita de ex-assessora do presidente era 'funcionária fantasma'. Procuradora-geral da República vai analisar se pede abertura de inquérito para apurar. Por Mariana Oliveira, TV Globo  — Brasília O presidente Jair Bolsonaro — Foto: Isac Nóbrega/PR O procurador da República do Distrito Federal Carlos Henrique Martins Lima enviou à Procuradoria Geral da República representações que apontam suspeita do crime de peculato (desvio de dinheiro público) e de improbidade administrativa em relação ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). A representação se baseia na suspeita de que Nathália Queiroz, ex-assessora parlamentar de Bolsonaro entre 2007 e 2016, período em que o presidente era deputado federal, tinha registro de frequência integral no gabinete da Câmara dos Deputados  enquanto trabalhava em horário comerc...
Atuação que não deixam dúvidas por que deveremos votar em Felix Mendonça para Deputado Federal. NÚMERO  1234 . Félix Mendonça Júnior Félix Mendonça: Governo Ciro terá como foco o desenvolvimento e combate às desigualdades sociais O deputado Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) vê com otimismo a pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República. A tendência, segundo ele, é de crescimento do ex-governador do Ceará. “Ciro é o nome mais preparado e, com certeza, a melhor opção entre todos os pré- candidatos. Com a campanha nas Leia mais Movimentos apoiam reivindicação de vaga na chapa de Rui Costa para o PDT na Bahia Neste final de semana, o cenário político baiano ganhou novos contornos após a declaração do presidente estadual do PDT, deputado federal Félix Mendonça Júnior, que reivindicou uma vaga para o partido na chapada majoritária do governador Rui Costa (PT) na eleição de 2018. Apesar de o parlamentar não ter citado Leia mais Câmara aprova, com...
Lula se frustra com mobilização em seu apoio após os primeiros dias na cadeia O ex-presidente acreditou que faria do local de sua prisão um espaço de resistência política Compartilhar Assine já! SEM JOGO DUPLO Um Lula 3 teria problemas com a direita e com a esquerda (Foto: Nelson Almeida/Afp) O ex-presidente  Lula  pode não estar deprimido, mas está frustrado. Em vários momentos, antes da prisão, ele disse a interlocutores que faria de seu confinamento um espaço de resistência política. Imaginou romarias de políticos nacionais e internacionais, ex-presidentes e ex-primeiros-ministros, representantes de entidades de Direitos Humanos e representantes de movimentos sociais. Agora, sua esperança é ser transferido para São Paulo, onde estão a maioria de seus filhos e as sedes de entidades como a CUT e o MTST.