Forças Armadas voltam à guerra no Rio de Janeiro
Com 71 blindados, militares fazem cerco contra o roubo de cargas em favelas das zonas Norte e Oeste da cidade. Dois suspeitos morreram em confronto com a polícia
HUDSON CORRÊA
05/08/2017 -
A vida num morro do Rio depois que o crime voltou
Neste sábado, as Forças Armadas cercaram o Complexo do Lins -Camaristas Méier e a favela São João, na Zona Norte, duas áreas com Unidades de Polícia Pacificadora, mas ainda sob domínio do tráfico de drogas e de assaltantes. Na manhã de sexta-feira, incentivados por um bandido armado com fuzil, moradores do São João saquearam caixas de Sedex transportadas por um caminhão dos Correios. Na reação deste sábado, um suspeito morreu na favela do saque e outro no Complexo de Lins. A Secretaria de Segurança do Rio afirmou que os homens das Forças Armadas não se envolveram nas mortes. A operação se estendeu ao morro da Covanca, na Zona Oeste.
Vida de PM no Rio: desprezados, doentes e com medo
O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirma que 8,5 mil militares estão à disposição para ajudar na segurança pública no Estado do Rio, normalmente formada por cerca de 55 mil policiais. Jungmann espera nocautear os criminosos com “ações de inteligência”. Desta vez, as Forças Armadas não devem ocupar morros como aconteceu em 2010, no Complexo do Alemão, e em 2014, no Complexo da Maré, um imenso conjunto de comunidades onde vivem 140 mil pessoas na Zona Norte. Operações desse tipo custam caro e parecem inviáveis em tempos de crime financeira. As duas ocupações demandaram cerca de R$ 800 milhões.
As vítimas de farda no Rio de Janeiro
Após a retirada das tropas militares, os bandidos voltaram a ocupar o Complexo do Alemão e o Complexo da Maré. A cada dia, mais e mais favelas pacificadas caem nas mãos do tráfico ou das milícias. Na região da Pavuna, Zona Norte, a bandidagem ataca caminhoneiros para roubar cargas, principalmente de alimentos, levadas depois para os morros do Chapadão e da Pedreira onde são redistribuídas para venda clandestina. A Secretaria de Segurança demonstra pouca capacidade de reação. A Polícia Militar está com seus homens desmotivados, sem gratificação salarial, envolvidos com vergonhosos casos de corrupção e com assassinatos de inocentes em operações policiais. A investigação de homicídios, e até de crimes banais, esbarra numa sucateada Polícia Civil. As Forças Armadas voltam a ser uma alternativa no combate à criminalidade que assola o Rio.
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