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Forças Armadas voltam à guerra no Rio de Janeiro

Forças Armadas voltam à guerra no Rio de Janeiro



Com 71 blindados, militares fazem cerco contra o roubo de cargas em favelas das zonas Norte e Oeste da cidade. Dois suspeitos morreram em confronto com a polícia

HUDSON CORRÊA
05/08/2017 -                                

Soldados patrulham o Complexo da Maré, no Rio (Foto: Silvia Izquierdo/AP)
Em novembro de 2010, os criminosos acuaram a população do Rio de Janeiro. Incendiavam ônibus, faziam arrastões e atacavam a polícia. Quando a guerra de 50 mortos parecia perdida, as Forças Armadas entraram em ação com blindados da Marinha que permitiram aos policiais tomarem o complexo de favelas do Alemão, QG dos traficantes de onde partiam as ordens para os ataques. A Brigada Paraquedista do Exército ocupou o morro por um ano e meio, até que as Unidades de Polícia Pacificadora fossem instaladas. Quase sete anos depois, 2017 lembra o passado com 93 policiais assassinados desde janeiro, o último deles na noite de sexta-feira (4). Diariamente, ocorrem tiroteios em morros antes pacificados. Cinco crianças morreram atingidas por balas perdidas. O roubo e saques de cargas aumentaram 43% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2016. Na manhã deste sábado (5), em apoio à polícia, as Forças Armadas voltaram às ruas com 3,6 mil homens e 71 blindados para fazer um cerco a três favelas nas zonas Norte e Oeste da cidade. Dois suspeitos morreram no confronto com a polícia. Cerca de mil policiais federais, militares e civis participam da incursão nas áreas. Dezoito pessoas foram presas e apenas três pistolas apreendidas, segundo o primeiro balanço.
A vida num morro do Rio depois que o crime voltou
Uma ação preliminar das Forças Armadas ocorreu há uma semana, no dia 28 de julho, com patrulhamento nas ruas e principais vias expressas da cidade, onde acontecem arrastões e roubos de carga. O presidente Michel Temer assinou um decreto que autoriza o emprego dos militares na segurança pública até dezembro. Os blindados chegaram a ocupar praças tranquilas da cidade, como o Largo do Machado, na Zona Sul, enquanto o presidente sobrevoava a cidade para ver a tropa em ação, no domingo passado. Três dias depois, a máquina de guerra retornou aos quartéis sem grandes resultados contra os criminosos.
Neste sábado, as Forças Armadas cercaram o Complexo do Lins -Camaristas Méier e a favela São João, na Zona Norte, duas áreas com Unidades de Polícia Pacificadora, mas ainda sob domínio do tráfico de drogas e de assaltantes. Na manhã de sexta-feira, incentivados por um bandido armado com fuzil, moradores do São João saquearam caixas de Sedex transportadas por um caminhão dos Correios. Na reação deste sábado, um suspeito morreu na favela do saque e outro no Complexo de Lins. A Secretaria de Segurança do Rio afirmou que os homens das Forças Armadas não se envolveram nas mortes. A operação se estendeu ao morro da Covanca, na Zona Oeste.
Vida de PM no Rio: desprezados, doentes e com medo
O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirma que 8,5 mil militares estão à disposição para ajudar na segurança pública no Estado do Rio, normalmente formada por cerca de 55 mil policiais. Jungmann espera nocautear os criminosos com “ações de inteligência”. Desta vez, as Forças Armadas não devem ocupar morros como aconteceu em 2010, no Complexo do Alemão, e em 2014, no Complexo da Maré, um imenso conjunto de comunidades onde vivem 140 mil pessoas na Zona Norte. Operações desse tipo custam caro e parecem inviáveis em tempos de crime financeira. As duas ocupações demandaram cerca de R$ 800 milhões.
As vítimas de farda no Rio de Janeiro
Após a retirada das tropas militares, os bandidos voltaram a ocupar o Complexo do Alemão e o Complexo da Maré. A cada dia, mais e mais favelas pacificadas caem nas mãos do tráfico ou das milícias. Na região da Pavuna, Zona Norte, a bandidagem ataca caminhoneiros para roubar cargas, principalmente de alimentos, levadas depois para os morros do Chapadão e da Pedreira onde são redistribuídas para venda clandestina. A Secretaria de Segurança demonstra pouca capacidade de reação. A Polícia Militar está com seus homens desmotivados, sem gratificação salarial, envolvidos com vergonhosos casos de corrupção e com assassinatos de inocentes em operações policiais. A investigação de homicídios, e até de crimes banais, esbarra numa sucateada Polícia Civil. As Forças Armadas voltam a ser uma alternativa no combate à criminalidade que assola o Rio.

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