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Presidente Jair Bolsonaro

Crise maior é de confiança, a que Bolsonaro não inspira, por Raul Monteiro*

EXCLUSIVAS
O time que aderiu tresloucadamente de cabeça, por empatia pessoal ou coisa que o valha, a Jair Bolsonaro e resguarda sua autonomia intelectual não deve ter dúvidas, ao dia de hoje, que o ex-capitão é, de fato, o problema. Mesmo que não se queira dar o braço a torcer, as evidências estão aí, em todo lugar, mas principalmente na economia, que reage com um pibinho, frustrando a expectativa geral de que, aprovada a reforma da Previdência, num resultado que se pode atribuir mais ao Congresso do que a ele próprio, o investimento externo jorraria no país.
Não aconteceu e nem deve acontecer, ainda que o ministro Paulo Guedes, rompendo a letargia que o caracteriza, consiga ainda este semestre, um ano depois de iniciado o governo, apresentar duas outras propostas de reformas consideradas essenciais para o Brasil – a administrativa e a tributária -, obra que até agora não logrou concluir, não se sabe se por incompetência ou por dificuldade em entender o seu próprio papel no objetivo de tirar o país da crise, tarefa que, agora, com as mais duas novas chacoalhadas do cenário internacional, do petróleo e do coronavírus, parece mais difícil de executar.
Ora, os esperados investimentos privados não chegaram porque não têm como sentar praça num país submetido a solavancos constantes provocados pela figura imprevisível – e, porque não, irascível – de seu presidente, que, a todo momento, quando não vê chifre em cabeça de cavalo, assegura que eles existem, como estão a comprovar a sua recente participação na convocação para um ato contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF), que não são qualitativamente em nada – em nada – inferiores a Bolsonaro, e a discussão sobre fraude nas eleições de 2018, as quais ganhou.
Um país emergente, submerso numa desigualdade que só faz se aprofundar e repleto de problemas, não pode efetivamente se dar ao luxo de viver sob tal clima, resultado de invencionices do presidente, que abre mão de seu papel moderador para “se aparecer”, como se diz no popular, ou esconder a própria inação, além da cada vez mais evidente ausência de um projeto para o país, sem contar o despudorado descompromisso com o meio-ambiente e, principalmente, a democracia, da qual gostaria de se livrar. Portanto, é de se perguntar: quem há de investir num país onde tudo isso funciona contra e misturado?
A crise que afasta o investidor privado do Brasil é real e pode ser explicada por uma palavra: confiança. Sem ela, não há quem queira se aventurar por estas plagas, sabendo que pode encontrar ambientes muito menos hostis a negócios e empreendimentos. E não há como abrir mão dela. Tudo bem. O leitor letrado em economia pode alegar que há ainda capacidade ociosa e a perspectiva de crescimento é lenta, em decorrência do clima mundial, mas é confiança o ativo mais importante com que o governo deveria acenar para fazer o país andar, infelizmente algo que o atual presidente, com seu comportamento, além do notório despreparo, definitivamente não consegue inspirar.
* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

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