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Ida de Rui ao TCU é louvável, mas também parte de uma estratégia política
Foto: Carlos Prates/ GOVBA
A reclamação feita pelo governador Rui Costa no Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a possível discriminação na concessão do Bolsa Família a nordestinos é justificável. Em janeiro, apenas 3% dos novos entrantes no programa eram do Nordeste, região que concentra uma parcela maior de famílias abaixo da linha da pobreza, enquanto o Sul e Sudeste, menos desigual, concentrou quase 75% dos novos cadastros. Porém não é apenas como presidente do Consórcio Nordeste que embasa essa ida de Rui ao TCU. É um posicionamento político e vale a pena traduzir o fato dessa representação formal ser feita pelo governador baiano.

Rui tenta manter certo protagonismo no cenário nacional. Mais de uma vez o governador se colocou como uma alternativa no processo político-eleitoral de 2022 e atos como o realizado no TCU tentam construí-lo como algo viável dentro do campo da esquerda democrática. Crítico voraz das ações do presidente Jair Bolsonaro, o governador baiano poderia ser alçado à condição de candidato viável eleitoralmente, quando uma parcela do próprio partido, o PT, insiste em ser satélite do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda assim, Rui tem um enorme caminho a percorrer para ser essa aposta.

Mesmo que a estridente Gleisi Hoffmann brade contra Bolsonaro, Lula tem sido bem mais discreto do que o esperado quando ataca o atual presidente. O mesmo acontece com o derrotado Fernando Haddad, que não submergiu completamente, mas mantém certo distanciamento do dia a dia partidário. Gleisi é dirigente nacional do PT e, em tese, representaria a voz petista no plano federal. Só não tem a repercussão devida, por ser praticamente uma marionete dos demais caciques. Nesse vácuo de uma crítica embasada contra Bolsonaro, Rui consegue reunir qualidades que poderiam habilitá-lo a ser candidato a presidente em 2022. É nisso que o governador baiano se ancora.

Há ainda uma disputa velada entre Rui e o governador do Maranhão, Flávio Dino. O comunista maranhense também aparece como uma voz moderada na esquerda, apto a dialogar com outras frentes para além do que o petismo clássico está disposto a negociar. Rui seguiu o exemplo de Jaques Wagner na Bahia e manteve um arco de alianças com a centro-direita, com partidos como PP e PSD. Dino até que com o DEM firmou alianças, para tentar pôr fim à dinastia Sarney no Maranhão. Ou seja, possuem muito em comum, inclusive nessa busca por espaço na cena nacional. 

Ainda que haja esse viés político como fator motivacional extra, é preciso ressaltar que a ida ao TCU também pode ter efeito prático no acompanhamento das concessões do Bolsa Família. As informações divulgadas mostram que há algum tipo de problema nessas discrepâncias entre o Norte e Nordeste e o Sul e Sudeste. Como o governo federal não é lá muito adepto do diálogo, recorrer ao TCU é uma possibilidade de evitar que a ideologia impacte no apoio às populações mais pobres do Brasil.

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