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Estadão
15 de abril de 2020 | 08:34

Bancos miram capital intensivo e devem estender socorro para elétricas a outros setores

ECONOMIA
De olho nas empresas de capital intensivo e naquelas mais afetadas pela crise provocada pelo novo coronavírus, como as aéreas, os bancos privados deverão entrar em cena com um conjunto de alguns bilhões de reais para socorrê-las. A forma de dar suporte às companhias está em debate e, conforme apurou o Broadcast, grupos de trabalhos específicos para cada setor já estão sendo estruturados.
Além do setor aéreo, a preocupação dos bancos está voltada para empresas de energia, cuja solução até aqui é a mais avançada, comércio – excluindo supermercados e farmácias, e ainda a indústria automotiva. Como segmentos pararam parte da produção em meio aos efeitos da pandemia, dependem de soluções específicas para atravessar a crise e não apenas pacotes padronizados como tem ocorrido com médias e pequenas empresas.
A ideia em discussão é estruturar um leque de mecanismos, incluindo preferencialmente crédito, por meio de um sindicato de bancos privados nacionais e estrangeiros, com a coordenação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O entendimento é o de que a saída para ajudar os setores mais afetados pela crise será por meio de uma solução de mercado, com a maior parte do risco nas mãos das instituições financeiras. Além de dinheiro novo às empresas, no pacote estará uma amplo processo de alongamento das dívidas, para as companhias ganharem fôlego nesse período. “A ideia é uma solução no setor privado, combinando dívida com equity (ações). Não querem que empresas com faturamento acima de R$ 300 milhões recebam dinheiro público”, diz uma fonte de um grande banco, na condição de anonimato.
Na segunda-feira, dia 13, os presidentes dos bancos privados e públicos tiveram uma nova reunião para debater soluções específicas para os setores mais atingidos pela crise do coronavírus. “Daqui para frente, o grande trabalho que será feito é atuar especialmente com soluções específicas para cada setor como, por exemplo, o aéreo, que vai precisar de uma solução específica, o elétrico, com os distribuidores – uma solução está sendo desenhada no BNDES e está quase pronta -, o automobilístico e toda a sua cadeia produtiva”, detalhou o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, em teleconferência com o mercado.
As tratativas entre os bancos ainda estão no nível das negociações, que estão evoluindo ainda em um ritmo devagar nas duas últimas semanas, e o empréstimo para as elétricas é o mais avançado até o momento. A ideia é, inclusive, estender o modelo aos demais segmentos, conforme uma fonte a par das conversas. “O conceito é o empréstimo que foi feito para as elétricas, ou seja, dinheiro privado, solução de mercado. Não é só para minimizar risco, mas canalizar esforços para ajudar os setores”, explica o executivo, na condição de anonimato.
No caso do setor de energia, a ideia aventada até aqui é resgatar uma solução de mercado utilizada em 2015, quando um sindicato de bancos arcou com R$ 8 bilhões dos cerca de R$ 20 bilhões de ajuda ao setor. Na ocasião, as distribuidoras precisaram de socorro por estarem enfrentando dificuldades de caixa, quando o custo da energia subiu muito e a alta não pode ser repassada para a tarifa.
Com esse setor, o mais adiantado, quem encabeça a iniciativa é a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que está trabalhando para organizar um sindicato de bancos para socorrer as empresas, no mesmo molde do empréstimo feito no passado, mas de valor menor, em torno de R$ 17 bilhões. Todos os grandes bancos, incluindo os estrangeiros, estão nessas tratativas, apurou o Broadcast.
O debate em torno da necessidade de se buscar uma solução de mercado para os setores mais afetados pela crise tem ganhado força nas últimas semanas. O governo já comprometeu R$ 800 bilhões em medidas para estancar o estrago do coronavírus na economia e esses gastos tendem a bater a marca de R$ 1 trilhão, consumindo mais do que todo o montante que seria poupado com a reforma da Previdência em uma década.
Para o presidente do Santander Brasil, Sergio Rial, deve se evitar que mais setores se utilizem dos cofres públicos a despeito da crise, que paralisou a economia brasileira. “Cada um tem de conversar com seus acionistas. Tem muitas multinacionais que preferem correr para o governo. Nós não temos como ajudar a todos os setores do Brasil como Estado porque nós brasileiros e brasileiras vamos pagar por isso. Essa conta tem de ser paga”, ressaltou ele, durante live na internet.
O BNDES já anunciou que ajudaria as companhias aéreas e que poderia estender esse socorro a outros setores. Nesse caso, o modelo proposto às empresas foi o de bônus de subscrição, forma em que o banco de fomento coloca um dinheiro na empresa e poderá se tornar um acionista de peso mais à frente, o que vem sendo rechaçado pelas empresas, por não considerarem as condições justas.

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