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Suíça bloqueia R$ 3 bi em contas de investigados na Lava Jato

Informação é do Ministério Público do país, que disse ter aberto mais vinte inquéritos em 2016 envolvendo brasileiros; órgão investiga Petrobras desde 2014

A Suíça anuncia que já congelou mais de 1 bilhão de francos suíços (3,08 bilhões de reais) em contas de suspeitos envolvidos na Operação Lava Jato. Num documento publicado nesta quarta-feira pelo Ministério Público da Confederação, as autoridades suíças revelam que, em 2016, Berna abriu vinte inquéritos criminais envolvendo brasileiros e que analisou mais de mil relações bancárias.
De acordo com o documento, o Ministério Público suíço investiga desde 2014 o caso envolvendo a Petrobras, em especial por “lavagem de dinheiro agravada e atos de corrupção”. “O MP, portanto, coletou e examinou de forma mais profunda os documentos bancários relacionados com mais de mil relações bancárias”, indicou. “Até o presente momento, os valores patrimoniais de mais de 1 bilhão de francos suíços (após conversão) foram congelados”, declarou a Procuradoria.
Na última vez que as autoridades suíças haviam citado um número oficialmente foi em abril do ano passado, quando apontou que havia congelado 800 milhões de dólares – cerca de 802 milhões de francos suíços. Desse montante, cerca de 200 milhões de francos suíços foram restituídos às autoridades brasileiras. Outro caso pode aumentar esse valor: se o ex-deputado Eduardo Cunha, já condenado em primeira instância, voltar a ser condenado, os valores de suas contas na Suíça serão devolvidos.
Em 2016,  com a abertura de mais vinte processos, o total de inquéritos criminais conduzidos pelo MP da Suíça sobre a Lava Jato superou a marca de sessenta casos. Nessa lista estão ex-diretores da Petrobras, políticos brasileiros e coordenadores de campanhas e marqueteiros, como João Santana, que, com sua mulher, Mônica Moura, fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.
“As investigações são conduzidas acima de tudo contra agentes públicos brasileiros suspeitos de terem recebido em contas na Suíça os valores da corrupção obtidos na atribuição de contratos públicos, mas também contra empresas de construção e de fornecimento brasileiras suspeitas de terem transferidos montantes da corrupção graças a estruturas contábeis”, diz o texto. De acordo com os suíços, essas mesmas empresas são “suspeitas de terem se enriquecido de forma ilegítima em inúmeros casos”.

Odebrecht

Se o caso começou com a Petrobras, a Suíça deixa claro que, a partir de meados de 2015, “uma atenção particular” foi dada ao “conglomerado Odebrecht“.
“No quadro das investigações conduzidas contra a Odebrecht, contra outras sociedades e contra inúmeras pessoas físicas, um colaborador importante da Odebrecht pôde ser preso e ouvido na Suíça em fevereiro de 2016”, indicou o MP. No informe, o nome do colaborador não é revelado, mas a referência é a Fernando Miggliaccio, que tentou fechar contas na Suíça e apagar dados em um servidor mantido fora do país.
O MP também confirma que, em março de 2016, confiscou em Genebra “um sistema de servidores de computadores com os meios e provas importantes e pôde, pelo menos parcialmente, analisar os dados”. O sistema passou a ser considerado um dos elementos mais importantes em termos de provas, já que mostrava a rota do dinheiro justamente do Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, responsável pelo pagamento de propinas.
No documento, os suíços salientaram que as investigações contra a Odebrecht avançaram no Brasil e os primeiros julgamentos foram realizados, assim como condenações a “longas penas de prisão”. “A Odebrecht, então, decidiu cooperar com as autoridades penais e pode colocar um fim aos processos contra ela no Brasil, EUA e Suíça”, diz o documento.

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