Pular para o conteúdo principal

Trump piora herança maldita de Obama; Coreia do Norte não é Síria

Assad não pode fazer mal nenhum a não ser ao povo do próprio país, o que já é do balacobaco! O que dizer, no entanto, do feudo comandado por Kim Jong-un?

Que diabos, afinal de contas, os EUA pretendem fazer com a  — ou “na” — Síria depois do bombardeio? Ninguém sabe. Nem eles. Corre o risco de, nessa área, o governo Donald Trump repetir, mas de forma piorada, a política estúpida de Barack Obama, que concorreu para elevar a insegurança mundial a padrões inéditos.
Vamos lá. O que estará querendo dizer um secretário de Estado ao afirmar que a ação punitiva contra a Síria serve de advertência para a Coreia do Norte? Foi o que fez Rex Tillerson em entrevista a um programa da ABC, quando questionado sobre o “feudo” comandado por Kim Jong-un: “A mensagem que qualquer nação pode tirar é ‘se você viola os acordos internacionais, se fracassa em cumprir compromissos, se vira uma ameaça para outros, em alguma hora uma resposta será dada’”.
Não sei se a fala seria boa caso ele ainda fosse CEO da Exxon Mobil Corporation, e alguém perguntasse se a empresa iria reagir a alguma concorrente que estivesse prejudicando seus negócios.
A resposta é estúpida. Bashar al Assad, o sanguinário tarado que governa a Síria legal, não pode fazer mal nenhum a não ser ao povo do próprio país, o que já é do balacobaco. E seus inimigos, armados e treinados pelos EUA, não são melhores do que ele. Seria a mesma coisa com a Coreia do Norte? Analistas sérios acreditam que o país dispõe de mísseis que podem atingir Seul e o Japão. A Síria é a Síria. A Coreia do Norte é a Coreia do Norte, e isso quer dizer que é outra coisa.
Tillerson não se entendeu com a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, segundo quem os EUA não consideram possível que haja uma saída para a Síria com Assad, o que faz supor que haverá esforços para derrubá-lo. É o que queria e o que fez Obama. Sem sucesso.  Aliás, o ex-presidente resolveu puxar o tapete de ditadores amigos (Hosni Mubaraki, no Egito), de ditadores domados (Muamar Kadafi, na Líbia) e de ditadores inócuos (o próprio Assad) para, em lugar, financiar o terror sob o pretexto de dar suporte a movimentos democratizantes e contrários à tirania.
Vimos bem no que deu.
Ademais, a gente poderia tentar esmiuçar o conteúdo da entrevista. O ataque com armas químicas a uma cidade síria, com efeito, viola leis internacionais. Mas e a ação punitiva dos EUA? Ampara-se em que lei? Sigamos. Trump mandou um porta-aviões e uma frota de destróieres para a Península da Coreia. Obviamente, trata-se de pressão contra a Coreia do Norte, que tem o apoio da China. O país assistiria a um eventual bombardeio com a chamada… “paciência chinesa”? Acho que não.
Rússia, Irã e o Hezbollah, que comada o sul do Líbano, anunciaram que vão reagir se os EUA voltarem a atacar a Síria. Que reação seria essa? Não dá para saber.
Trump deve estar achando que mísseis Tomahawk são brinquedinhos que servem ao marketing possoal.
Será que, agora, os EUA vão se comportar como meros bedéis do mundo? “Não façam coisas que nos desagradam ou que a gente acha errado, ou jogamos mísseis em vocês”… Isso se parece com uma política externa?
Não é aceitável esse padrão de debate quando se sabe que, na Síria, infelizmente, os EUA se tornaram aliados dos terroristas, a exemplo do que aconteceu na Líbia. Essa é uma herança maldita de Obama. Agora piorada.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Procurador do DF envia à PGR suspeitas sobre Jair Bolsonaro por improbidade e peculato Representação se baseia na suspeita de ex-assessora do presidente era 'funcionária fantasma'. Procuradora-geral da República vai analisar se pede abertura de inquérito para apurar. Por Mariana Oliveira, TV Globo  — Brasília O presidente Jair Bolsonaro — Foto: Isac Nóbrega/PR O procurador da República do Distrito Federal Carlos Henrique Martins Lima enviou à Procuradoria Geral da República representações que apontam suspeita do crime de peculato (desvio de dinheiro público) e de improbidade administrativa em relação ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). A representação se baseia na suspeita de que Nathália Queiroz, ex-assessora parlamentar de Bolsonaro entre 2007 e 2016, período em que o presidente era deputado federal, tinha registro de frequência integral no gabinete da Câmara dos Deputados  enquanto trabalhava em horário comerc...
Lula se frustra com mobilização em seu apoio após os primeiros dias na cadeia O ex-presidente acreditou que faria do local de sua prisão um espaço de resistência política Compartilhar Assine já! SEM JOGO DUPLO Um Lula 3 teria problemas com a direita e com a esquerda (Foto: Nelson Almeida/Afp) O ex-presidente  Lula  pode não estar deprimido, mas está frustrado. Em vários momentos, antes da prisão, ele disse a interlocutores que faria de seu confinamento um espaço de resistência política. Imaginou romarias de políticos nacionais e internacionais, ex-presidentes e ex-primeiros-ministros, representantes de entidades de Direitos Humanos e representantes de movimentos sociais. Agora, sua esperança é ser transferido para São Paulo, onde estão a maioria de seus filhos e as sedes de entidades como a CUT e o MTST.
Atuação que não deixam dúvidas por que deveremos votar em Felix Mendonça para Deputado Federal. NÚMERO  1234 . Félix Mendonça Júnior Félix Mendonça: Governo Ciro terá como foco o desenvolvimento e combate às desigualdades sociais O deputado Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) vê com otimismo a pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República. A tendência, segundo ele, é de crescimento do ex-governador do Ceará. “Ciro é o nome mais preparado e, com certeza, a melhor opção entre todos os pré- candidatos. Com a campanha nas Leia mais Movimentos apoiam reivindicação de vaga na chapa de Rui Costa para o PDT na Bahia Neste final de semana, o cenário político baiano ganhou novos contornos após a declaração do presidente estadual do PDT, deputado federal Félix Mendonça Júnior, que reivindicou uma vaga para o partido na chapada majoritária do governador Rui Costa (PT) na eleição de 2018. Apesar de o parlamentar não ter citado Leia mais Câmara aprova, com...