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Cunha inventa o “Terrorismo Orloff”. É conversa de quem aposta na impunidade

Cunha apela a um suposto formalismo processual que não passa de chicana da pior qualidade. A questão essencial: ele negou que tivesse dinheiro no exterior. E, no entanto, tem! Chega de pantomima!

Por: Reinaldo Azevedo             
 
 
 
Correu sem surpresas, embora renda títulos em penca, a sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) que vai decidir se aprova ou não o relatório do deputado Ronaldo Fonseca (PROS-DF), que pede a anulação da votação do Conselho de Ética, que recomenda a cassação do mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
A maioria dos deputados ainda não falou. Boa parte do tempo foi ocupada pelo advogado de defesa, Marcelo Nobre, que tentou desqualificar a acusação central: Cunha mentiu à CPI ao negar que tenha conta no exterior. É a ladainha de sempre: não é conta, mas dinheiro que está num trust. Então tá.
Aliados do deputado afastado ainda tentaram adiar a sessão. Foram derrotados. Para todos os efeitos, ela será retomada nesta quarta-feira, dia, calculem vocês, da eleição do presidente da Casa, que se anuncia muito mais agitada do que parecia inicialmente. Há evoluções de última hora que não estavam no cardápio de ninguém.
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Ou por outra: duvido que aconteça algo de relevante nesta quarta. Há mais de 30 inscritos para falar. Ainda que a maioria seja contra Cunha e que se estime que ele seja derrotado na CCJ, não se deve contar com a possibilidade de um parlamentar perder os holofotes. Os que são anti-Cunha querem seu nome registrado na história.
O acusado também falou. Apontou todas aquelas que considera injustiças contra homem tão honrado e, bem, a seu modo, fez uma espécie de pregação terrorista, que busca convencer pelo medo.
Sites e jornais chamaram a fala de uma ameaça. Não me parece. Cunha buscou mesmo, aí sim, provar que estão todos no mesmo barco. Se ele vai para o buraco, os outros também vão.
O deputado evocou, então, o “efeito Orloff” da política, numa alusão à propaganda de uma vodca que rezava: “Eu sou vocês amanhã”. Segundo o preclaro, se ele for cassado agora, amanhã será a vez de 117 deputados e 30 senadores que estão sob investigação. Ou por outra: “Se vocês me cassarem, estarão cassando a si mesmos; ou vocês me salvam, ou eu seria apenas o primeiro”. Ou dito de outro modo: “Ou vocês garantem a minha impunidade ou entram na fila da guilhotina”.
Insisto: o nome disso não é ameaça, como se escreveu por aí, mas tentativa de convencimento pelo terror. O deputado insistiu em 16 supostas irregularidades havidas no processo que acabou recomendando a sua cassação no Conselho de Ética.
Todas elas dizem respeito apenas a firulas — e esse é o nome — formais. Sim, a forma num processo é importante porquanto ela formata o conteúdo. Ocorre que Cunha usa um suposto formalismo para distorcer a verdade.
Ele não tem resposta mesmo é para a farsa essencial — e notem que nem vou entrar nas demais acusações que há contra ele. Quando negou na CPI da Petrobras, à qual compareceu por vontade própria, que tivesse conta na Suíça, estava negando, de fato, que tivesse dinheiro depositado no exterior. Houvesse boa-fé na negativa, teria havido também na afirmativa: “conta não tenho, mas tenho dinheiro num trust”. Não o fez.
Então ele prefere insistir na farsa de que Marcos Rogério (DEM-RO) não poderia ter sido o relator no Conselho de Ética porque se mudou para um partido que integrara o bloco que o conduziu à Presidência ou que a votação foi viciada.
Mas e a conta na Suíça?
“Ah, é grana num trust, não conta!”
É claro que isso já passou da conta. Que fique a coisa para agosto. Mas que o agosto de Cunha venha.
Chega dessa pantomima!

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