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O silêncio ensurdecedor de uma caixinha de surpresas
Foto: Reprodução / EBC
No domingo o Brasil escolhe o novo presidente da República na expectativa de que o mandato perdure por quatro anos. Até o momento, o desenho eleitoral sinaliza que o deputado Jair Bolsonaro (PSL) possui uma vantagem contra Fernando Haddad (PT) e apenas uma reviravolta mudaria o desfecho da corrida. Caso se confirme a escolha pelo candidato do PSL, uma incógnita se abre diante do que esperar do futuro. Não apenas por causa do extremismo de Bolsonaro. Mas principalmente pelo silêncio dele sobre assuntos relevantes e que, infelizmente, ficaram relegados a planos paralelos nas eleições de 2018.

Vítima de uma facada no começo de setembro, o deputado federal usou o episódio como justificativa para não participar de nenhum debate após o atentado, mesmo tendo sido liberado pelos médicos para eventuais embates na reta final do segundo turno. Como o próprio admitiu, trata-se de uma estratégia eleitoral. O risco de destempero poderia colocar em cheque a ampla vantagem obtida por ele. Não valeria a pena.

Ainda que tenha um discurso interessante para uma quantidade relevante de eleitores, Bolsonaro não possui o dom da oratória desenvolvido a ponto de se tornar um eloquente debatedor. Talvez por isso, opte por opinar apenas no ambiente ‘controlado’ das redes sociais, principal ferramenta de comunicação utilizada por ele.

Um exemplo claro da necessidade de controle narrativo foi a entrevista agendada após o fim do primeiro turno. Ao saber que não seria vitorioso naquele dia, a equipe do deputado federal cancelou a coletiva de imprensa em um hotel e fez uma transmissão ao vivo no Facebook, sem a oportunidade de interpelação por repórteres ou outros atores da cena política.

Centrando o discurso no antipetismo e com uma campanha pouco propositiva do ponto de vista prático – algo que também se repetiu na maior parte das candidaturas adversárias -, o grupo de aliados de Bolsonaro acabou passando por sucessivos processos de autocensura, numa tentativa de evitar mais polêmicas. Não foram raros os episódios em que o próprio candidato desautorizou figuras próximas a ele para mitigar eventuais falas desastrosas.

Por conta desses episódios envolvendo aliados, pouco se soube sobre as propostas de nomes como Paulo Guedes, guru da economia de Bolsonaro, por exemplo. No máximo pitacos pinçados logo no início do processo eleitoral, antes de pitos que o obrigaram a falar menos. Educação e saúde, áreas importantes do debate contemporâneo, foram pinceladas em público e apenas a segurança pública, com proposições limitadas, foi objeto de apresentações.

Por isso, caso confirmada a eleição do capitão reformado, um silêncio ensurdecedor deve tomar conta do Brasil no dia 29 de outubro. Não apenas de medo, como pregam os adversários. Mas, principalmente, pela caixinha de surpresas que é o eventual programa de Bolsonaro para o Brasil.

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